JUSTIÇA TORNA RÉU BRIGADIANO FLAGRADO ATIRANDO EM HOMEM ALGEMADO COM AS MÃOS PARA TRÁS
A Justiça aceitou nesta terça-feira (05) a denúncia do Ministério Público (MP) contra o soldado da Brigada Militar Emerson Brião, 32 anos. Ele é acusado de assassinar Geovane Matias Maciel, 19, a tiros em março deste ano, em Bom Jesus, na Serra. Com a decisão, o brigadiano vira réu e responderá por homicídio qualificado.
Um vídeo que registrou a morte do jovem foi obtido e divulgado pelo Grupo de Investigação (GDI) da RBS. No material, o PM aparece dando tiros em Maciel quando a vítima já estava imobilizada e com as mãos algemadas para trás.
Conforme o juiz de direito Vancarlo André Anacleto, a denúncia do Ministério Público apontou elementos suficientes que indicam a existência de um crime contra a vida, assim como a autoria por parte do brigadiano. O policial militar foi preso preventivamente em 10 de julho.
A denúncia
Na segunda-feira (04), o MP denunciou o soldado por homicídio qualificado. Segundo o documento, o crime foi cometido de “forma consciente e com recurso que dificultou a defesa da vítima, caracterizando execução sumária”.
Os tiros atingiram a cabeça e o tórax da vítima, conforme o MP. A morte ocorreu em decorrência de hemorragia interna provocada por ferimentos causados por arma de fogo, de acordo com laudo pericial.
A denúncia também pede indenização mínima de 50 salários-mínimos aos familiares da vítima, como forma de reparação pelos danos causados.
O crime
A morte do jovem ocorreu em 4 de março, em Bom Jesus, na Serra. Até junho, o caso era investigado com base no que os brigadianos haviam relatado em ocorrência: que Geovane Matias Maciel havia sido alvejado e morto em decorrência de “oposição à intervenção policial”, ou seja, por supostamente ter reagido durante a abordagem. Uma faca, que teria sido usada por Maciel para reagir, foi levada pelos PMs para a delegacia.
No final de junho, no entanto, o MP recebeu a gravação do momento em que Maciel, já algemado, recebe, ao menos, dois tiros de um dos quatro PMs que aparecem na imagem.
O vídeo foi enviado pelo MP à Polícia Civil com pedido de nova apuração, uma vez que contradizia as declarações inicias prestadas pelos policiais envolvidos na abordagem.
Contraponto
A reportagem entrou em contato com a defesa de Emerson Brião. Os advogados Mauricio Adami Custódio e Ivandro Bitencourt Feijó, se manifestaram por nota:
“A defesa do Soldado EMERSON BRIÃO, entende que a denúncia oferecida e recebida nesta tarde, ponderou a falta de qualquer indicativo de concurso de agentes, mas não afastou os fatos anteriores aos disparos que decorreram da agressão por parte de Geovane contra os Policiais.
Reforçamos que o enredo deste processo não se limita ao vídeo de curta duração. Devemos inquirir nestes fatos a alta periculosidade da vítima, impondo terror à comunidade de Bom Jesus por um longo período, desrespeitando as regras da cidade, ameaçando de morte sua ex-companheira e sendo investigado por outros crimes gravíssimos, o que traz à tona a existência da violência praticada contra pessoas indefesas, resultando na agressão a faca, contra os policiais, motivando a defesa do Soldado Brião que será objeto de demonstração no curso do processo.
De um lado, um vídeo sem contexto completo, de outro, a realidade de uma cidade aterrorizada pelo comportamento violento da vítima que atacou a guarnição, impondo medo e terror. Acreditamos que o Júri saberá julgar o fato e suas circunstâncias.”
Fonte: GZH