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CRIME DA MALA: SUSPEITO DE MATAR E ESQUARTEJAR NAMORADA É INDICIADO POR FEMINICÍDIO, OCULTAÇÃO DE CADÁVER E FALSIFICAÇÃO DE DOCUMENTOS

O publicitário Ricardo Jardim, suspeito de matar, esquartejar e esconder as partes do corpo da namorada em Porto Alegre, foi indiciado pela Polícia Civil por feminicídio, ocultação de cadáver e falsificação de documentos.

De acordo com o diretor do Departamento de Homicídios, delegado Mário Souza, a pena pode chegar a 98 anos e oito meses de prisão em caso de condenação.

As conclusões do inquérito foram apresentadas nesta sexta-feira. Jardim está preso preventivamente desde setembro. A conclusão é de que ele agiu sozinho em todo o momento.

A investigação teve início depois que o torso do cadáver foi achado dentro de uma mala em um armário da rodoviária da Capital em agosto deste ano. A polícia segue em busca do crânio da mulher.

— A falta desse segmento do corpo não afeta a questão criminal. Nós fechamos o inquérito, mas continuaremos o trabalho para buscar a cabeça da vítima — afirma Souza.

O primeiro descarte de partes do corpo ocorreu em 13 de agosto, na Rua Fagundes Varella, na zona leste da Capital.

Já o segundo ato foi registrado em 20 de agosto, na Estação Rodoviária de Porto Alegre, um espaço de grande circulação e monitoramento. As pernas foram encontradas em dois trechos diferentes da Zona Sul.

O suspeito foi identificado a partir de imagens de uma câmera de segurança do estabelecimento comercial. Em certo momento da gravação, ele é visto abaixando a máscara que usava e que aparecia vestindo no vídeo registrado na rodoviária.

Jardim é representado pela Defensoria Pública do Estado que, procurada pela reportagem, informou que só se pronunciará nos autos do processo.

O Ministério Público (MP) vai analisar o inquérito e pode denunciar ou não o publicitário.

Motivação incerta

Durante a investigação, não foi possível identificar com clareza o que fez Ricardo Jardim cometer o crime.

— Nós apuramos que ele cometeu esse crime, provavelmente por algum motivo interno algum possível desentendimento com a senhora Brasília e também não pode ser descartada uma motivação financeira —  afirma o delegado André Freitas da 2ª Delegacia de Homicídios.

Alguns desdobramentos ainda podem ocorrer, mesmo com a conclusão do inquérito, embora a polícia não divulgue mais informações.

— Nós ainda temos algumas diligências pendentes relacionadas a isso para para encaminhar posteriormente, tanto que isso foi informado, inclusive no relatório final. Mas a real motivação, eu creio que nós nunca vamos saber e ele não quis falar também —  complementa.

No inquérito também não foi possível incluir o motivo da morte. Ainda são aguardados laudos do Instituto-Geral de Perícias (IGP). Uma primeira análise foi feita, mas teve resultado inconclusivo. 

Relembre

  • Ricardo Jardim foi preso em 4 de setembro, como suspeito de entregar na rodoviária de Porto Alegre uma mala com um tórax dentro.
  • Restos mortais da mesma vítima também foram localizados em sacolas de lixo deixadas em uma rua na Zona Leste.
  • As pernas foram encontradas em dois trechos diferentes da Zona Sul.
  • O crânio de Brasília Costa ainda não foi localizado pela polícia.

Veja todos os crimes pelos quais Jardim foi indiciado

  • Feminicídio
  • Ocultação de cadáver
  • Falsificação de documento público
  • Uso de documento falso
  • Falsa identidade
  • Invasão de dispositivo informático
  • Furto mediante fraude

Durante a coletiva, a Polícia Civil não quis comentar o vídeo do depoimento de Ricardo Jardim feito no dia 10 de setembro. No entanto, elementos do inquérito contradizem o relato do suspeito.

Ricardo diz que teria contratado um catador de lixo para esquartejar o corpo. Para os policiais, no entanto, não há dúvidas de que ele agiu sozinho durante todas as etapas do crime.

Em relato captado em 10 vídeos de cerca de 17 minutos cada, o publicitário Ricardo Jardim contou a policiais civis como teria se dado a morte da namorada Brasília Costa, 65 anos.

Preso como suspeito do crime, Jardim sustentou a versão de que ela sofreu um mal súbito e negou ter cortado o corpo, o que teria sido feito, segundo ele, por um catador de lixo contratado por R$ 2 mil.

O depoimento, prestado em 10 de setembro, tem cerca de três horas. Ricardo permaneceu todo o tempo algemado.

A Polícia Civil não quis comentar os vídeos e limitou-se a dizer que o depoimento de Jardim traz informações inverossímeis. Quanto a um segundo suspeito, por exemplo, os elementos coletados no inquérito excluem essa possibilidade.


Fonte: GZH